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histórias da ilustração portuguesa

Off the record

Energias Urbanas Radicais. Assim titulou António Cerveira Pinto uma mostra de 11 ilustradores portugueses realizada na Central Tejo em novembro de 1994. Encomenda do Clube Português de Artes e Ideias, fora da programação normal da sua Bienal de Jovens Criadores da Europa, a Bienal Off tomava o pulso a uma parte substancial da moderna ilustração portuguesa, que interpretava as inquietações da cultura urbana, a desilusão pós-abril, e a emergência dos subúrbios como força regeneradora da cidade. A agressividade dos temas e do registo gráfico, muito evidentes em Silvares, Fonte Santa, Pousada, Amaral e Lázaro, davam o tom e justificavam amplamente o título, afirmando uma geração emergente de artistas gráficos e plásticos, de que Cerveira Pinto era comentarista atento. A extrema densidade ou originalidade dos materiais de registo neste conjunto de artistas era também opção clara, deixando de fora outra parte significativa da ilustração portuguesa, então em voga, inspirada na linha clara da banda desenhada franco-belga.

Uma grande parte das ilustrações da Bienal (Pena, Fonte Santa, Amaral, Leal e Rocha) eram originárias d’ O Independente, confirmando a importância deste jornal na ilustração editorial da década de noventa. Um papel surpreendente, dada a sua orientação política. António Farinha, António Marques, Gonçalo Pena, João Fonte Santa, José Eduardo Rocha, Luís Lázaro, Paulo Leal, Pedro Amaral, Pedro Cavalheiro, Pedro Pousada e Rui Silvares davam corpo à exposição, subtitulada Cinzeiros de Baixa Pressão, e complementada ainda por vídeos de animação de Alice Geirinhas, António Rocha, Isabel Aboim e José Miguel Ribeiro. O Comissariado de Cerveira Pinto teve assessoria de Marta Anjos, João Paulo Feliciano e Jorge Silva. A Off foi ainda pretexto para uma última edição especial do Joe Índio, fanzine em formato A8, editado por Alice Geirinhas e Fonte Santa. Este último assinou também o cartaz da Bienal.

Filed under: Gonçalo Pena, João Fonte Santa, Pedro Amaral, ,

7 Responses

  1. Caramba Silva, que agora fiquei emocionada!…😀

  2. Pedro Amaral diz:

    curioso não me lembrava nada do título ” cinzeiros de baixa pressão” assim como não me lembrava de todo de que o João PauloFeliciano era “comissário” “!!!!????” ( era mais uma amamar então…?)

    lembro-me do cup de ananaz na abertura e de mais algumas coisas inesqueciveis, também eu me comovo ao pensar nisso….

  3. Marta Anjos diz:

    Olá Pedro! Bom, ler-te por aqui.
    Desde 1994 até hoje já passou muito tempo mas não te esqueças de que a Bienal Off não foi uma iniciativa exclusivamente dedicada à ilustração. A edição incluiu também uma série de concertos. Faz agora sentido para ti que o João Paulo Feliciano ter participado?…

    Beijinhos

    • Pedro Amaral diz:

      Marta minha querida, tu sabes que eu sempre gostei de ti. E continuo. Há coisas que é melhor deixar no obscurantismo do tempo como memórias felizes.

      Vivíamos outro tempo. Não se falava de crise. Presidia a esse tempo Cavaco Silva, não como presiedente da república mas como primeiro ministro duma eufórica magistratura que tudo permitiu, tudo prometeu e tudo mentiu.

      Até houve esta edição da bienal dos Jovens criadores do Mediterrâneo, a realizar-se em Lisboa e com direito a ABERRAÇÃO DAS ABERRAÇÕES, haver um programa “off” comissariado( por “N” pessoas)

      Muita gente mamou nessa altura, seguramente que não foram os artistas participantes…
      Ficamos por aqui ou vamos lavar roupa suja com quase 20 anos?

  4. anita diz:

    Jorge, alguns reparos ao texto.
    Quando os títulos das exposições ou livros ou teses, seja lá o que for, escrevem-se por inteiro não sendo necessário justificar o subtítulo. O título desta exposição é: Energias Urbanas Radicais. Cinzeiros de alta pressão (pessoalmente prefiro usar o ponto aos dois pontos). Outro reparo, ao dizeres “complementada ainda por vídeos de animação” estás a hierarquizar os artistas que participaram e colocas o cinema de animação subalterno á ilustração….quanto á confusão do comissariado, vou optar pelo critico de arte (e não comentarista como tu lhe chamas) António Cerveira Pinto.
    A história faz-se assim, aos poucos.
    Um abraço
    Alice Geirinhas

  5. Ainda sobre a curadoria, no texto o Feliciano aparece como comissário da exposição e não da parte musical, dos concertos que a Marta sugere mas não especifica. Já que o Almanaque é utilizado por muitos alunos ( alguns são meus) e investigadores o melhor é corrigires estas”nuances” que levam a interpretações erradas e consequentemente uma visão distorcida do que de facto aconteceu ( a história é distorcida em si mesmo, mas caramba…)
    E para que fique registado neste blog,o meu vídeo que esteve na exposição chama-se “Uma História de Amor”, 2′ 33”, UMATIC, 1989, CAM, Gulbenkian e 1º prémio ” Jovem Cineasta Português”, Cinanima, 1990.

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