almanaque silva

Ícone

histórias da ilustração portuguesa

Os índios bons são os índios mortos

O falso explorador, n.º 47

Texas Jack, aliás John Baker Omohundro, foi um célebre aventureiro do Oeste americano, nascido em 1846 e morto aos 33 anos por uma inglória pneumonia. Exímio cavaleiro, cowboy e caçador, pelejou de facto com os índios durante as heróicas travessias de gado através do Texas, Nebraska e Missouri. Foi também actor de teatro, e as suas aventuras cedo foram ficcionadas em panfletos populares. Pelos primeiros anos do século XX, a Europa era assolada pela moda dos folhetos de aventuras, com novelas independentes em cada número, mas seriadas para atrair colecionadores. Em fascículos quinzenais de 60 réis, A Vida D’Aventuras de Texas Jack – O Terror dos Índios – começou em Agosto de 1909, em plena agonia da Monarquia Constitucional. Os 120 fascículos de Texas Jack da Lusitana Editora, mais tarde Empresa Literária Universal, integravam uma avalancha de novelas colecionáveis onde abundavam aventureiros de espécies várias desde o pirata Capitão Morgan ao “polícia secreta” Sherlock Holmes. Género de produção barata e rápida, apenas a capa era contemplada com ilustração e grafismo exuberantes. Texas Jack foi reeditado várias vezes, uma delas com o novo antetítulo de O Jornal d’Aventuras e preço em escudos, pelo editor José Pires Teodósio.

As façanhas d’um Lord, n.º 51

Alfredo Moraes (Lisboa, 1872- 1971) foi um dos mais prolíficos ilustradores portugueses durante uma longa vida de 99 anos. Omnipresente nas três primeiras décadas do século em livros infantis e escolares, jornais e editoras, o seu registo naturalista, virtuoso e expressivo, estava naturalmente talhado para uma infinidade de géneros da literatura popular. Em cópias de ilustrações das edições originais (prática corrente na época), Moraes retratava as cenas mais animadas do enredo, onde o assassínio era desfecho certo. Indígenas, bandidos e feras eram sistematicamente dizimados a tiro ou à facada por um Texas Jack em traje de gala a fazer lembrar o Buffalo Bill’s Wild West Show, cuja memória das tournées pela Europa nos anos de 1886 e 1889-90 estaria ainda presente. A expressividade de gestos e caras, verdadeira marca de água de Moraes, evocam o teatro declamado, a grande paixão nacional daqueles tempos, e o cinema mudo que se começara a popularizar  (o célebre The Great Train Robbery, dirigido por um cameraman de Thomas Edison, data de 1903, e abriu o filão de filmes sobre o Oeste americano). Com gravações de A Illustradora, as imagens da capa eram impressas a azul nos primeiros quarenta números (exceto o n.º 1, a várias cores) e em bicromia até ao final da coleção. Apesar da pobreza do papel e da impressão, a mistura do azul e vermelhão é um dos principais atrativos destas terríveis mas ingénuas cenas de um Oeste mítico que atravessou todo o século XX.

 

A estalagem da paz, n.º 99

O bandido vermelho, n.º 89

Os estranguladores vermelhos, n.º 82

Vingança frustrada, n.º 97

A vingança do engenheiro, n.º 81

 

Fontes Sources

N.º 13 – Informações e Estudos sobre Jornais Infantis, Literatura Popular e Histórias aos Quadradinhos, A. J. Ferreira, Dezembro 1992 (cortesia do livreiro José Vilela)

Portugal Século XX – Crónica em Imagens, Joaquim Vieira, Círculo dos Leitores, 1999

http://texasjack.wordpress.com

http://xroads.virginia.edu/~hyper/hns/westfilm/west.html


Filed under: Alfredo Moraes, ,

One Response

  1. Pedro Amaral diz:

    viva o grande Alfredo Moraes !

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Visitas

  • 373,446

Posts

%d bloggers like this: