almanaque silva

Ícone

histórias da ilustração portuguesa

Rei morto, rei posto

O talhe-doce é o nome genérico da gravura em metal. O desenho que se pretende imprimir é entalhado diretamente na chapa metálica em cobre, através de incisões feitas por uma ferramenta metálica, o buril. Se a gravura a buril é de natureza essencialmente linear, as sombras e variações tonais podem ser sugeridas mediante traços paralelos, tramas de linhas cruzadas ou texturas formadas por pontos. Juntamente com a gravura em madeira a topo, a gravura a buril distinguiu-se na reprodução de imagens até ao advento da fotomecânica no final de novecentos. Já no século XX, O talhe-doce foi utilizado como impressão artística em selos dos CTT durante as décadas de quarenta e cinquenta. Nos anos 50, os correios portugueses emitiam séries de grafismo austero que habitualmente comemoravam as efemérides de heróis, santos e realizações do Estado Novo. Em 1955, a mais extensa série do ano versava os primeiros reis de Portugal. A sua impressão em monocromia sobre papel mate tem a beleza clássica deste processo de impressão.

Como na gravura em madeira, a impressão calcográfica exige a gravação por artistas especializados. Philip Goodwyn Hall (10 e 20 c.), Maxime Ferré (50 c.), Nigel Alan Dow (90 c. e 2$00), Robert George Godbehear (1$00, 1$40 e 2$30) e Anthony Ronald Wild (1$50) passaram ao metal os desenhos dos selos. A impressão realizou-se na Bradbury, Wilkinson & Co., Ltd, de Londres. Reis de Portugal da 1.ª Dinastia seria a última grande série impressa nesta delicada técnica, reaparecendo esporadicamente em anos seguintes em séries de um ou dois selos. O pintor e ilustrador António-Lino (Guimarães, 1914) esculpe estes coevos reis, fundadores da nacionalidade, como máscaras mortuárias, de olhos vazados, galeria fantasmagórica que haveria de ser uma das mais belas emissões filatélicas portuguesas em talhe-doce. Sem se preocupar em conferir aos reis portugueses um rosto possível, como Martins Barata tinha feito dez anos antes, em 1945, na série Navegadores Portugueses, Lino fixa o retrato simbólico de uma dinastia mítica e sobrehumana que construiu o país a golpes de espada e ardis diplomáticos.

Fontes:

Selos, postais e marcas filatélicas, catálogo, AFINSA, 2006

Definição de talhe-doce: Gravadores estrangeiros na Corte de D. João V, Maria Augusta Araújo, Boletim APHA, 2006

Filed under: António-Lino

One Response

  1. Antonio Gonçalves diz:

    Tenho estes selos todos muito bem estimados,poderei vende-los se tiverem interesse

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Visitas

  • 373,446

Posts

%d bloggers like this: