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histórias da ilustração portuguesa

O Senhor Ventura

ventura 1s

Bonecos:
José Manoel, o gerente provisório
Sancho Sanches e António Lima, os burlões
Doutor Cantarino e Tia Dores, hóspedes do hotel
Julião Vaquinha e Carlota, dono do Hotel Três Estrelas e sua filha
Lúcio Marmeleiro, o noivo acidentado
O cozinheiro, a datilógrafa e o porteiro
João Sanches, o verdadeiro gerente

O Senhor Ventura é uma pequena comédia de costumes, cujo palco é o lobby do hotel Três Estrelas, algures em Portugal. O Sr. Vaquinha, o proprietário, espera ansiosamente dois homens que não conhece, o novo gerente que contratou para o hotel, e o dedicado noivo da sua filha Carlota. Entretanto, um burlão chega ao hotel e faz-se passar sucessivamente pelo gerente e pelo noivo, aproveitando a miopia da filha do Sr. Vaquinha. Depois dos quiproquós do costume, Sancho Sanches, o simpático burlão, é desmascarado, mas um oportuno telegrama do Brasil fá-lo herdeiro de cinco milhões de escudos de um remoto tio Jacaré e a azougada Carlota renega o legítimo noivo, reclamando o burlão no seu coração e na gerência do hotel. Ou isso, ou uma lâmina Gilette nos pulsos, e o fleumático pai Vaquinha cede em toda a linha para desespero dos legítimos pretendentes, que entraram em cena atrasados. Escrita por Fernando de Pamplona, autor de um monumental dicionário de artistas, História da Pintura e Escultura, a peça era um género muito comum nos magazines e jornais da época, parodiando as contradições da burguesia lisboeta, provinciana e ansiosa de ascenção social.

O “Ensaio Teatral” foi publicado em junho de 1930, no Magazine Bertrand, revista que juntamente com a Civilização e a Ilustração, constituíam a frente possível da mundanidade portuguesa. Oscilando entre a estética modernista e o naturalismo folclórico, o Magazine Bertrand publicou ilustradores modernos como Tagarro, Almada Negreiros, Rodolfo, Carlos Carneiro e Tom. As ilustrações de O Sr. Ventura, a página inteira, limitam-se a apresentar as personagens, sem narração do enredo. A economia gráfica tem toda a pertinência porque a ligeiríssima história vive da caraterização dos vários tipos sociais que Pamplona esboça nos curtos diálogos e descrições. Thomaz de Mello, Tom (1906, Rio de Janeiro-Lisboa, 1990), apurou aqui o traço anguloso e rápido que praticava no final da década e que já aqui vimos em crónica da revista Ilustração (post As Meninas do Tamariz). Ilustrador de sofisticados recursos, Tom retratou as personagens com anatomia displicente, mas elaboradamente geométrica, aproximando-se do registo cómico de um Carlos Botelho e cumprindo o programa dos modernistas no desenho humorístico: o comentário irónico de tipos sociais, em vez do humor bordaliano de cariz político e personalizado.

O Senhor Ventura

O Senhor Ventura is a little comedy of manners set in the lobby of the Três Estrelas Hotel somewhere in Portugal. It opens with Senhor Vaquinho, the owner, anxiously awaiting the arrival of the new manager he has hired for his hotel and also for the devoted betrothed of his daughter Carlota. A small-time con artist arrives and pretends to be the new manager and then Carlota’s future husband by taking advantage of her short-sightedness. Following the usual deceptions and misunderstandings, the charming fraud, Sancho Sanches, is unmasked. But a timely telegram from Brazil announces that he has been left a vast amount of money by a remote Uncle Jacaré. Sharp-witted Carlota breaks off her former engagement, announces her love for the scamp and that he should be the new manager. Stuck between that and putting a Gillette blade to his wrists, the easy-going Vaquinha agrees much to the despair of the rightful claimants, who arrive late. Written by Fernando de Pamplona, the play was a common genre in magazines and newspapers of the time and parodied the inconsistencies of social-climbing, provincial bourgeoisie, usually from Lisbon,

‘Ensaio Teatral’ was published in June 1930 in Magazine Bertrand, which together with Civilização and Ilustração made up Portugal’s worldly magazines. Mixing modernist aesthetics with folkloric naturalism, Magazine Bertrand published modern illustrators such as Tagarro, Almada Negreiros, Rodolfo, Carlos Carneiro and Tom. The full-page illustrations for O Sr. Ventura merely presented the characters without narrating the plot. This graphic economy is entirely pertinent because the flimsy storyline depends on the characterisation of the various social types that Pamplona sketches out in short dialogues and descriptions. Thomaz de Mello, or Tom (1906, Rio de Janeiro – Lisbon, 1990) perfected here the swift angular style that he used towards the end of the decade and which we already noted in an Ilustração chronicle (see As Meninas do Tamariz post). Tom was a sophisticated illustrator who depicted unappealing but geometrically shaped characters much in the droll manner of a Carlos Botelho. He fulfilled the modernist agenda in humorous illustration: ironical commentaries on social types rather than the political and personalised caricatures of a Bordallo Pinheiro.

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As ilustrações foram restauradas digitalmente The illustrations were digitally restored
Fontes Sources
Ilustração em Portugal I, Theresa Lobo, IADE Edições, 2009

Filed under: Thomaz de Mello, Tom, ,

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  1. […] Illustration by Thomaz de Mello (Tom), 1930. Many more at Almanach Silva. […]

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