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histórias da ilustração portuguesa

Tóssan ao sábado

juv 00000b - 23.04.1957

Eusébio Maldonado, o mundialmente famoso detetive Pararraios, dava a cara, e o seu inseparável funil, para antecipar as suas estapafúrdias aventuras no Diário de Lisboa, numa campanha que se prolongou pela segunda quinzena de abril de 1957. O diário vespertino anunciava assim um novo suplemento semanal, o Diário de Lisboa Juvenil, a sair ao sábado. Ao leme estavam os jornalistas Augusto Dias, Mário Castrim e o ilustrador Tóssan (António Fernando dos Santos, Vila Real de Santo António, 1918 – Lisboa, 1991). A colaboração de Tóssan foi intensa nos primeiros quatro anos do suplemento, com centenas de ilustrações desdobradas em múltiplos registos, acabando por contagiar o Magazine, miscelânea cultural vizinha do Juvenil.

Embora partilhasse a colaboração ilustrada com António Domingues, primeiro, e Figueiredo Sobral, nos anos finais, Tóssan imprimiu o seu cunho ao Juvenil, desenhando cabeçalhos de rubricas e ilustrações que recheavam as séries de continuação. Destacam-se desde logo as aventuras do Pararraios e do seu ajudante Basílio Sopito, e as crónicas da escritora Maria Helena da Costa Dias, «Animais, esses desconhecidos», reunidas em livro na década seguinte, em álbum cartonado da editora Portugália. A oito anos dos seus primeiros livros para crianças, Tóssan ilustrava alguns dos poemas de Castrim, alegorias humanistas que cumpriam a vocação do Diário de Lisboa para a dissidência política com o regime totalitário do Estado Novo.

A versatilidade gráfica de Tósssan não ficou imune à influência de grandes ilustradores do seu tempo, como José de Lemos, artista residente no rival Diário Popular, ou Maria Keil, no traço cinético dos seus primeiros livros. Sem o mesmo apuro gráfico destes registos, Tóssan despachou algumas rubricas de longa duração, como «Os Cavaleiros da Távola Redonda» numa aproximação à linearidade desenhada das revistas infanto-juvenis e, nas ilustrações sortidas para as crónicas curtas «Flash» e «Apontamentos para os tempos futuros», de Diógenes e Manuel Agra, Tóssan alternava o picaresco que o celebrizou com o modernismo poético à maneira de Lemos ou mesmo o neorrealismo rude que praticara nos anos quarenta.

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Tóssan on Saturday

Eusébio Maldonado, the world famous detective Pararraios, was all set to start living some crazy adventures together with his inseparable funnel in the Diário de Lisboa, as announced in this newspaper’s advertising campaign to the end of April 1957. This morning daily was promoting its new Saturday supplement, Diário de Lisboa Juvenil. At its helm were the journalists Augusto Dias and Mário Castrim, and the illustrator Tóssan (António Fernando dos Santos, Vila Real de Santo António, 1918 – Lisboa, 1991). Tóssan made a great contribution to the children’s supplement’s first four years with a wide variety of illustrations that ended up influencing Magazine, a cultural miscellany for youngsters akin to Juvenil.

Although Tóssan did the illustrations in collaboration with António Domingues at first, and in the final years with Figueiredo Sobral, he left his imprint on Juvenile with his headers for captions and illustrations that filled the serialisations. The adventures of Pararraios and his sidekick, Basílio Sopito, were an immediate success as were the ‘Animais, esses desconhecidos’ articles by Maria Helena da Costa Dias, which Portugália Publishers brought out in hardback the following decade. Eight years after his first children’s book illustrations, Tóssan started to illustrate a few of Castrim’s poems, humanist allegories that conformed to Diário de Lisboa’s mission to dissent from the Estado Novo’s totalitarian regime.

Tóssan’s versatility was not immune to the influence of his contemporary foremost illustrators, such as José de Lemos, who was working at the rival Diário Popular, and Maria Keil and the kinetic drawings in her first books. Though lacking their more refined graphic style, Tóssan still completed some long-term work such as in ‘The Knights of the Round Table’ in which his style approached the graphic linearity in children and teenagers magazines. In his varied illustrations for the short ‘Flash’ and ‘Notes on Future Times’ pieces by Diógenes and Manuel Agra, Tóssan would alternate the picaresque, which distinguished him in poetic modernism in a manner similar to Lemos, with the rougher neorealism that he had employed in the 1940s.

juvenil cabeçalho

juv 35 - 04.01.1958

DL25

«O Grande Detective Pararraios  — O Fugitivo do Saturnia», Diário de Lisboa Juvenil, 19 de abril de 1958

juv 45 - 08.03.1958

«O Grande Detective Pararraios — Em busca das pérolas», Diário de Lisboa Juvenil,     8 de março de 1958

DL33

DL13

gente nossa + cruzadas

Disco da Semana, Gente Nossa, O Livro da Semana, Palavras Cruzadas, Diário de Lisboa Juvenil, 1957-1960

1959.05.16 mag 45 um espír de equi c poucos

«Um espírito de equipa como poucos», Diógenes, Diário de Lisboa Juvenil, 16 de maio de 1959

1959.05.30 mag 47 solidão Ai dão, Ai dão

«Solidão ai dão, ai dão», Diógenes, Diário de Lisboa Juvenil, 30 de maio de 1959

1959.06.06 mag x os sebastianistas

«Os sebastianistas», Diógenes, Diário de Lisboa Magazine6 de junho de 1959

1959.06.27 mag 51 os teddy-boys de cab bran

«Os teddy boys», Diógenes, Diário de Lisboa Juvenil, 27 de junho de 1959

1959.10.17 mag 66 a mul é ig ao hom?

«A mulher é igual ao homem?» Henri Crespi, Diário de Lisboa Juvenil, 17 de outubro de 1959

1960.01.02 mag 77 mud os t mud as vont

«Mudam-se os tempos mudam-se as vontades», Augusto da Costa Dias. Diário de Lisboa Juvenil, 2 de janeiro de 1960

DL12

«Flash — O balão não rebenta», Manuel Agra, Diário de Lisboa Juvenil, 4 de abril de 1959

DL28

DL27

«Caracol», Mário Castrim, Diário de Lisboa Juvenil, 22 de março de 1958

1960.01.09 mag 78 haja resp pel cria_1

«Haja respeito pelas crianças», Maria Helena da Costa Dias, Diário de Lisboa Juvenil, 9 de janeiro de 1960

1959.06.06 mag x flores de plástico

«Flores de plástico», Mário Castrim. Diário de Lisboa Magazine, 6 de junho de 1959

espelho ok

«A ópera de Paris», Gilbert Cesbron, Diário de Lisboa Juvenil, 27 de agosto de 1960

DL17

«Anúncio», Francisco José Fernandes, Diário de Lisboa Juvenil, 29 de novembro de 1958

DL15

«Avó», Mário Castrim, Diário de Lisboa Juvenil, 20 de setembro de 1958

DL14

«Flash — O barco chega», Manuel Agra, Diário de Lisboa Juvenil, 17 de janeiro de 1959

DL11

«O alcoolismo não é um vício é uma doença»Diário de Lisboa Juvenil, 2 de julho de 1960

As ilustrações foram restauradas digitalmente.

Fonte do texto: Tóssan, Jorge Silva. Editora Arranha-Céus, 2018

Filed under: Tóssan, ,

4 Responses

  1. Feira Laica diz:

    Republicou isto em Uma Bedeteca Anónima.

  2. Sempre gostei muito do Tóssan e das suas ilustrações para o Detective Careca (entre outros livros infantis favoritos) e este ano, para o meu aniversário, tenciono oferecer a mim mesma o Cãopendio, que vi à venda na livraria da Casa da Moeda. 🙂

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