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histórias da ilustração portuguesa

O alpinista ilustrado

ARCINDO PORTUGAL 1

Como turistas de sofá que somos agora, viajemos em segurança por estas paisagens deslumbrantes, dos inselberg da portuguesíssima Monsanto aos 3.454 metros de altura do Jungfrau, na Suíça, pelos olhos de um verdadeiro globetrotter do pincel e pioneiro dos nossos contemporâneos urban sketchers. Arcindo Madeira (Coimbra, 1915-Brasil, 2002), foi uma glória das revistas infanto-juvenis dos anos trinta, sobretudo n’O Papagaio, onde refinou o seu grafismo desenhado, tornando-o inconfundível. Emigrado no Brasil desde 1941, onde continuou a trabalhar profusamente em revistas e jornais, Arcindo veio à Europa no Verão de 1958, deixando no jornal O Primeiro de Janeiro desenhos das suas viagens pelo país e pela Europa. Voltaria a Portugal dois anos depois e daqui iniciou nova e longa excursão. As duas séries de crónicas gráficas percorrem vários países do continente nas páginas do diário portuense, a partir de 16 de setembro de 1958, publicadas com o título comum de «Canhenho Dum Artista» e não são mais que o resultado da observação direta nas suas curtas estadias em paisagens de montanha,  sempre em contraponto com as arquiteturas, trajes e costumes das populações autótones. Longe da exuberância da sua produção gráfica para crianças, Arcindo compõe mosaicos de ilustração descritiva, com a mão de profissional batido, confirmada no realismo estilizado, disfarçado de apontamento rápido, e nas múltiplas combinações de escala e composição que nos oferece em cada pedaço deste diário gráfico.

A preferência andarilha de Arcindo por países e localidades com altitudes elevadas, explica-se pelo seu hobby preferido, o alpinismo, de que foi instrutor e praticante durante décadas.

ARCINDO PORTUGAL 3

ARCINDO SUIÇA 6

ARCINDO SUIÇA 10

ARCINDO SUIÇA 11

ARCINDO SUIÇA W

ARCINDO SUIÇA X

ARCINDO SUÉCIA 43

ARCINDO FINLÂNDIA 44

Fontes: Dicionário dos Autores de Banda Desenhada e Cartoon em Portugal, Leonardo de Sá e António Dias de Deus, Edições Época de Ouro, 1999

A tesoura descuidada que cortou os formatos irregulares das imagens não é capricho do Almanaque, mas de um anónimo colecionador que criou um pequeno dossiê de recortes, dedicado ao «Canhenho Dum Artista», encontrado numa feira de alfarrabistas. 

 

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