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histórias da ilustração portuguesa

Servos da Gleba

O Neorrealismo português, considerado habitualmente parte da terceira geração modernista, é essencialmente literário. Alves Redol (Vila Franca de Xira, 1911-Lisboa, 1969) introduziu-o em Portugal com o romance Gaibéus (1939), nome dado aos camponeses da Beira que iam fazer a ceifa do arroz ao Ribatejo, em meados do século XX. Fanga, de 1943, romance síntese do empenhamento político de Redol, retrata a precária existência da população das lezírias, em luta contra a fome e a opressão. Em seis espantosos originais, para uma edição especial de Fanga, nunca publicados, a que o tempo vai roendo as cores vivas das anilinas, Manuel Ribeiro de Pavia (Pavia, 1907-Lisboa, 1957) compõe sagradas famílias de patorras descalças, que colhem na sombra protetora das árvores alívio para o sol inclemente da campina. Labutando e folgando, a arraia-miúda do Ribatejo retrata o Portugal rural pobre dos anos 40, carne para canhão dos senhores da terra. São ilustrações de uma asfixiante densidade gráfica, rara na obra de Pavia, o mais apreciado ilustrador neorrealista português.

Fontes

Tese de mestrado A obra de Alves Redol para Crianças, de Anabela de Oliveira Figueiredo, Universidade Aberta de Coimbra, 2005

Os originais são uma cortesia de António Redol

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Index de ilustradores em que a listagem da obra e bibliografia, embora tendencialmente exaustivas, não são raisonée. É um work in progress onde todas as contribuições são bem-vindas.

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