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histórias da ilustração portuguesa

Suburbia

Sobre o General D, os chocolates Bounty e Jubileu, e o rap negro. 24 setembro 1993

 

Sousa Jamba, jornalista e conferencista angolano, foi cronista d’ O Independente na primeira metade dos anos 90. A sua Linha da Frente abordava temas como o multiculturalismo, a pacificação política e social dos países africanos de língua portuguesa e a integração das comunidades negras em Portugal. Pedro Amaral (Lisboa, 1960) ilustrou muitas dessas crónicas, pintando-as em grandes formatos irregulares, em camadas densas de acrílico, inspirado nos pintores naif da África Central, nomeadamente o zairense Chéri Samba.  A figuração humana, no limiar do grotesco, de fácies simiescas e suadas, lembrava os Simpsons de Matt Groening, recém-criados em 1989. Amaral povoava as crónicas com cenários imaginários e deprimentes, mas tipicamente novaiorquinos, em stills de filme de zombies. A poderosa iconografia e cromatismo vibrante traziam à sua obra um sabor terceiro-mundista único na ilustração portuguesa da altura.

Por aqui passam o mal-estar de uma juventude rebelde sem ideais, a segunda geração de imigrantes enlatada em comboios suburbanos, a emergência da música rap, a crueldade da classe política ou as paranóias dos ícones da cultura popular. Estas imagens aterradoras, no coração do jornal da direita bem-pensante e bem-vestida que era a d’ O Independente, eram uma perversidade do código genético do jornal. Na realidade, a matriz gráfica do Indy era bastante tolerante e, em toda a década de 90, albergou muitos dos mais criativos e inconformistas ilustradores portugueses, como José Eduardo Rocha, Alice Geirinhas, Gonçalo Pena e João Fonte Santa, alguns deles importados directamente do jornal de extrema-esquerda Combate. A crónica era ilustrada alternadamente por Fonte Santa e Pedro Amaral. Este continuaria a ilustrar Sousa Jamba, já noutro formato editorial, com retratos de personalidades, em trânsito para o realismo que marcou a fase seguinte da sua obra.

 

Conversas com um jovem esquerdista sobre Moçambique e a Renamo, entre um gole de nouveau beaujolais e um pedaço de queijo francês, 19 novembro 1993

 

Pretos e brancos, 3 janeiro 1992

 

Jogos, 23 julho 1993

 

A vida literária, 27 novembro 1992

 

O regresso de Lee Oswald, 20 agosto 1993

 

Táxis, 13 agosto 1993

 

Sobre os que querem subir na vida a todo o custo, as malinhas, o gel e as peúgas brancas, 11 março 1994



Filed under: Pedro Amaral, ,

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