almanaque silva

Ícone

histórias da ilustração portuguesa

O regresso da “mulher da hortaliça”

Pelo final dos anos vinte há uma contrareforma na ilustração à volta da identidade nacional. Jorge Barradas, modernista elegante e feérico ilustrador das capas publicitárias do Bristol Club no magazine ABC, pode demonstrar a mudança destes tempos. Voltam os garridos trajes populares, a inocente vida da aldeia, sem os malefícios da cidade corruptora. A consolidação do Estado Novo não explicava tudo, era o regresso do naturalismo oitocentista que nunca tinha sido erradicado das artes visuais portuguesas. Mas a “mulher da hortaliça” já não era a mesma criatura rude das aguarelas de Alberto Souza. Rregressa como artista de cinema, elas umas Pola Negri esfíngicas, eles uns Valentinos de lábios pintados, tão fatais como elas. Os serões musicais das famílias burguesas passam a tocar e bailar viras e corridinhos da revista e filmes à portuguesa. Mesmo que enxertados em tangos e one-steps. Stuart de Carvalhaes (Vila Real, 1887-Lisboa, 1961) é o grande artífice destas esplendorosas capas de partituras musicais, desdobrando-se entre as editoras discográficas Sassetti e Valentim de Carvalho. A reabilitação chega mesmo ao fado, apagados os ardores do nacionalismo radical. A dolência fadista vai passar a fachada do suave fascismo português.

Filed under: Stuart de Carvalhaes, ,

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Visitas

  • 373,396

Posts

%d bloggers like this: